1º Trimestre de 2021: nada para se comemorar!

Ao analisar os primeiros três meses de 2021 o que se percebe é que a situação do país piorou e não apenas em função da pandemia de coronavírus, como a imprensa quer que acreditemos. Neste caso a expansão do vírus, agora sem controle, agravou uma situação que se arrasta pode seis longos anos. O que acaba por frustrar a população em relação àquela expectativa de esperança quando o ano se inicia. Entretanto, outros fatores se impõem para que cheguemos a essa conclusão.

Com base na crise epidêmico-viral hoje o Brasil transformou-se no epicentro mundial da Covid-19 a ponto de estarmos sendo rejeitados pelas demais nações como um povo perigoso do ponto de vista do risco de contaminação pelo vírus. Uma vergonha para um país que estruturalmente possui o SUS, o mais amplo sistema de saúde do mundo, mas que vem sendo paulatinamente destruído pela atitude covarde e irresponsável de um governo presidido por alguém que parece desconhecer as 290 mil mortes por Covid-19 oficialmente registradas até momento e os hospitais públicos e privados com 90% ou mais dos leitos de UTIs ocupados.


Quanto às vacinas as únicas utilizadas no Brasil neste momento estão sendo produzidas aqui em São Paulo, pelo Instituto Butantã, em parecia com a China, ou com a Fiocruz, no Rio de Janeiro, com o apoio da AstraZeneca/Oxford. Ainda assim em quantidades muito pequenas. Insuficientes, eu diria, no atendimento aos estados e municípios. Até o momento não entrou no país nenhuma vacina de fora, pois Bolsonaro e Pazuello, seu ministro da Saúde, impediram que tal viesse a ocorrer. São os governadores do Nordeste, via Consórcio Nordeste, que estão encomendando da Rússia a vacina Sputnik e não Bolsonaro que vem de todas as formas tentando impedi-los. Inclusive recorrendo à justiça. Por isso, a vacinação no Brasil anda tão lenta e tanta gente está morrendo. Até agora somente um pouco mais de 4% da população brasileira foi vacinada. Uma diferença considerável se comparada aos Estados Unidos que, em 58 dias, após a posse do seu presidente, Joe Biden, já foram vacinadas cerca de 100 milhões de pessoas.


No campo econômico estamos fechando março com os índices de inflação em alta enquanto o governo adota medidas de contenção desses índices via aumento da taxa de juros em 0,75%. O que agrava uma situação que já era ruim. Pois tal medida inibe o investimento, reduz o consumo e aumenta ainda mais o desemprego.


Na prática o governo se recusa a admitir a gravidade da crise utilizando o aumento dos juros em vez de adotar medidas de estímulo à economia, tais como a ampliação do credito e os financiamentos. O que força para baixo uma situação que impede a recuperação econômica. O aumento dos juros apenas facilita a vida dos bancos.

Outro ponto em destaque é o aumento do preço dos combustíveis que revela efeitos negativos em diversos setores da economia, uma vez que o petróleo alimenta, em maior ou menor proporção, praticamente toda a produção de bens e serviços no país. O aumento no preço dos combustíveis não se relaciona pura e simplesmente com o ICMS, imposto estadual, como Bolsonaro e seus apoiadores andam falando.


Aliás, mentindo para esconder a real política de preços dos combustíveis na sua atual gestão. A verdade é que desde 2016 ocorreu uma séria mudança nos planos da Petrobrás e que vem sendo aprofundada no governo Bolsonaro. Criada em 1953, por Getúlio Vargas para atender ao desenvolvimento nacional, a cada dia ela caminha para se tornar exploradora e exportadora de óleo cru, suas refinarias estão sendo sucateadas e vendidas a preço abaixo de mercado aos fundos de investimentos estrangeiros, enquanto o governo importa dos Estados Unidos gasolina e óleo diesel em vez de produzi-los aqui.


Tal decisão de importar combustíveis contribui para gerar constantes repasses de preços e, ao final, é o consumidor que acaba pagando toda a conta por um combustível com seu valor dolarizado. Não é por acaso que em fevereiro o valor da cesta básica em São Paulo aumentou 23,3% em relação ao mesmo mês de 2020, segundo o DIEESE.


O reflexo disso é de todos conhecidos, pois implica em corrosão da salarial, queda no consumo e aumento do desemprego. Esta última questão é uma entre as tantas fragilidades do governo Bolsonaro, já que são hoje cerca de 14 milhões de desempregados e nenhuma politica adotada que possa pelo menos minimizar uma situação tida como insuportável.


Aliás, nada aponta que o desemprego irá diminuir. Ao contrário, pois a última medida, a PEC 186 (PEC Emergencial) encaminhada pelo governo e aprovada pelo Congresso nacional é, sem margem para erros, o mais duro golpe sofrido pelo povo brasileiro, depois da famigerada reforma da Previdência Social.


Em termos de concursos públicos e aumento salarial ao funcionalismo isso acaba, pois, este segmento ficará sem reajuste até 2036. O custo gerado com despesas, como no caso do Auxilio Emergencial, no valor de R$ 44 bilhões (valor insuficiente, diga-se de passagem), não deixa de sair das costas do funcionalismo, inclusive do setor da Saúde que hoje está na linha de frente da luta contra a Covid. O que não quer dizer que somente o funcionalismo vai pagar essa conta, mas toda a classe trabalhadora. Tal medida implica no sucateamento dos serviços públicos essenciais como educação e saúde e os principais prejudicados serão os mais pobres.


Afinal, não é restringindo a renda que vamos resolver o problema do desemprego e não é negando a pandemia e a ciência que vamos derrotar o vírus. Ao contrário, é defendendo com urgência a ampliação da vacinação para todos e agindo com firmeza visando recuperar o poder de compra dos salários, de modo a facilitar o aumento do consumo para que a “roda” da economia volte a girar e com velocidade. Somente desse modo podemos sair mais rapidamente da crise que foi substancialmente agravada pela pandemia.


Portanto, em 2021, a nossa principal ação será reivindicar dos governos federal e estadual, assim dos prefeitos agilidade no combate à pandemia, com destaque para ampliação do processo de vacinação em massa, de modo a sairmos o mais rápido possível dessa crise sanitária e que a vida humana venha a reocupar o seu lugar com a devida segurança.


Ademais, faremos a luta em defesa do SUS, da educação pública de qualidade e dos salários, bem como pela manutenção dos direitos hoje inseridos nas convenções e acordos coletivos de trabalho negociados pelos sindicatos. Os desafios são muitos, mas a nossa função é lutar para superá-los.