O comportamento ralé da classe média brasileira

Não há dúvida que estamos em meio a uma guerra e a sociedade brasileira, ou parcela dela, a mais consciente politicamente, tem a obrigação de se manifestar e tentar de todas as formas salvar a nação em risco.


Particularmente quando ela se encontra sob o comando de um desvairado, irresponsável, senão criminoso. Sim, um criminoso de guerra que se chama Jair Bolsonaro e cercado que está por um grupo de pessoas cumprindo o papel de cães de guarda e/ou de caça desse fulano, bem como tudo de ruim que ele representa.


Tal atitude, além de cegueira, revela um instinto maléfico. Aquele instinto perverso que parece ter sido introjetado no DNA de cada um desses e que agora nesses tempos obscuros que o Brasil atravessa esse terrível modo de ser tem aflorado de maneira violenta e sem qualquer disfarce. Violência que resvala, por meio do ódio, ao outro, ao diferente, à democracia e às instituições.


Sabe-se bem da influência que exercem os meios de comunicação, assim como determinadas igrejas evangélicas com seus pastores, “bispos” e diáconos charlatões que, cotidianamente transacionam com a fé alheia visando enriquecer e alienar uma parcela da população sempre no sentido de mantê-la indiferente à dura realidade na qual se insere. Não há da parte dessa gente qualquer racionalidade em suas posições extremadas em tratando de defender as bandeiras fascistas que Bolsonaro e sua turma impunham bem ao gosto do que a classe dominante brasileira de mentalidade escravista sempre defendeu.


Porém, esse mal parece estender-se para além de parcela das classes populares. Adentra, inclusive, ao universo da classe média de quem se esperaria um outro comportamento, já que culturalmente estaria em condições de melhor compreender o processo político e assim poder intervir para impedir que a barbárie prevaleça contra a civilidade que, diga-se de passagem, não foi uma dádiva que a natureza nos concedeu, nem ninguém, mas resultado da luta social. Portanto, uma conquista da sociedade, particularmente dos setores politicamente mais avançados que sempre lutaram em prol de um Brasil com futuro, tendo por base as nossas imensas potencialidades como povo e nação.


Todavia, não é o que vemos neste momento crucial da vida brasileira. Tem sido parcela dessa classe média que mais influência tem recebido do grupo agora no poder, com vistas a agir para destruir os avanços que a sociedade conquistou em décadas de luta.

Como classe social que goza de certas prerrogativas, como melhor educação e, muito em função disso, de renda diferenciada, e a qual tem revelado uma gama de intelectuais nos diversos campos do conhecimento, sua conduta fascistoide parece negar todas essas características.


Obviamente, que a classe média não é una, coesa. Em seu meio encontra-se uma fração que mantém uma postura de civilidade e de compromisso com a defesa da democracia, do progresso material para todos, etc. Porém, a maioria, apegada a uma visão mesquinha, extremamente individualista, mantem-se no seu pequeno mundo e se espelhando na elite dominante quanto a tudo de ruim que esta representa e defende. Ou seja: exploradora da mão-de-obra barata, racista, homofóbica, misógina e violenta. E, por isso, foi responsável pela chegada de Bolsonaro e seu grupo de milicianos ao governo, pois além de também neles se espelhar passou a considerá-los a sua alma-gêmea.


Sendo assim, não foi capaz de fazer qualquer reflexão sobre as consequências dos seus atos, ainda que no momento das eleições de 2018 houvessem outras candidaturas pelas quais poderia ter optado. Se não o fez há que se deduzir tratar-se de um voto carregado de ódio contra a esquerda e suas políticas voltadas à inclusão de grupos sociais historicamente à margem do progresso econômico e social e que na sua visão tacanha e equivocada estes representam uma ameaça ao seus “status quo”.


Como tal, essa visão permanece. Haja vista as inúmeras manifestações que vem se realizando em diversas cidades pelo país em defesa de Jair Bolsonaro e suas patacoadas, além do desejo de pôr fim à esquerda, à democracia, via retorno do país ao regime militar, de triste memória, incluindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Comportamento típico da ralé na perspectiva muito bem definida pela filósofa alemã Hanna Arendt em sua magistral obra "Origens do Totalitarismo". O que também revela uma mentalidade doentia e característica da ralé que outra coisa não é senão o ‘refugo’, ‘subproduto’, originário da sociedade burguesa o qual parcela da classe média, e média alta, é o seu retrato mais fiel.


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