O voto dos jovens e o futuro do Brasil

Informações que nos chegam via mídia dão conta de que é baixo o número de jovens entre 16 e 17 anos interessados em tirar o seu Título de Eleitor para, em outubro próximo, poder exercer a sua cidadania escolhendo e votando em candidatos da sua preferência, identificados com a sua ideologia.


Parece até um paradoxo, mas em tempos difíceis com os atuais, de governo obscurantista, há de fato desinteresse por parte dos jovens em relação à política.


A meu ver uma série de fatores influencia essa posição (“descrença na política, falta de informação, acreditar que o assunto não interfere na sua vida e o voto ainda não ser obrigatório são alguns dos motivos citados pelos jovens em entrevistas para este desinteresse”). E os partidos políticos não demonstram preocupação em voltar suas ações para a juventude, em atrai-la para a participação politica. Ou seja, não demonstram interesse efetivo em aproximar-se desse publico jovem que representa não apenas o futuro do Brasil, mas, antes de tudo, o presente.


Por esse olhar a sociedade está também apática em relação à participação dos jovens, E mais ainda aqueles e aquelas que hoje ocupam cargo público eletivo, vez que não demonstram preocupação com essa questão, ou não atuam efetivamente para a aprovação de bons projetos visando atender aos anseios dos jovens, bem como da população em geral. Sem isso, a tendência é de descrédito. O que é grave para o próprio processo democrático.


Nas eleições de 2018, ao todo, 42,1 milhões de eleitores não escolheram nenhum candidato no segundo turno. Ano a após ano tem aumentado o número de abstenções e de votos nulos e brancos e isso ninguém questiona.


Por isso, mais uma razão para chamar esse eleitorado à responsabilidade em relação à democracia e ao país e a exercer o direito de votar que, para quem não sabe, a geração que vivenciou a ditadura militar de 1964 no Brasil esperou 29 anos para ter acesso a esse direito de eleger o presidente da República, pois durante esse período a escolha dos presidentes/ditadores se dava, não por meio do voto livre e consciente, mas por imposição das armas.


Portanto, não podemos permanecer apresentando dados estatísticos, ou atribuindo culpa aos jovens pelo baixo comparecimento aos cartórios eleitorais, e nos voltarmos já, enquanto há tempo, para uma campanha massiva e informativa com vistas a esclarecer dúvidas e incentivar essa garotada objetivando convencê-la de que, com o seu Título de Eleitor em mãos e o voto na urna, podemos mudar para melhor o Brasil.


Temos ainda um pouco mais de um mês, até 4 de maio, ao nosso dispor para mostrarmos aos jovens a importância deles no processo eleitoral de outubro e de poderem decidir sobre o seu próprio futuro.

#Paulão